Com o aumento da expectativa de vida dos animais de companhia, é cada vez mais comum anestesiarmos pacientes geriátricos para procedimentos diagnósticos e cirúrgicos.
Um ponto importante: idade isoladamente não é contraindicação anestésica.
O verdadeiro desafio está nas alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento, que reduzem a reserva funcional dos órgãos e tornam o paciente menos capaz de compensar instabilidades intraoperatórias.
Principais alterações fisiológicas no paciente idoso:
Cardiovascular
- Redução da complacência miocárdica
- Diminuição da resposta β-adrenérgica
- Menor capacidade de compensação frente à hipotensão
Respiratórias
- Redução da complacência pulmonar
- Diminuição da capacidade de difusão gasosa
- Maior tendência à hipoxemia sob anestesia
Renal
- Redução do fluxo sanguíneo renal e do GFR
- Maior susceptibilidade à injúria renal perioperatória
Hepático
- Diminuição do metabolismo de fármacos em alguns pacientes
- Alteração da farmacocinética de anestésicos
Sistema nervoso
- Maior sensibilidade a agentes sedativos e anestésicos
Implicações anestésicas práticas:
✔ Avaliação pré-anestésica detalhada
Identificação de comorbidades (cardíacas, renais, endócrinas).
✔ Premedicação mais conservadora
Doses reduzidas e titulação cuidadosa.
✔ Indução lenta e titulada
Pacientes geriátricos frequentemente necessitam menores doses de agentes indutores.
✔ Monitorização rigorosa
Pressão arterial invasiva ou não invasiva, capnografia, oximetria e temperatura são fundamentais.
✔ Evitar hipotensão prolongada
Perfusão inadequada é um dos principais fatores associados a complicações perioperatórias.
✔ Recuperação mais lenta
Deve ser cuidadosamente monitorada, especialmente em pacientes com doença sistêmica.
Um ponto importante na prática:
Frequentemente, o maior risco anestésico nesses pacientes não é o protocolo anestésico em si, mas a presença de doença sistêmica não diagnosticada.
Por isso, exames complementares e uma boa estratificação de risco (ASA) continuam sendo ferramentas fundamentais.
Na prática clínica de vocês, qual alteração perioperatória é mais comum em pacientes geriátricos?
- Hipotensão
- Hipotermia
- Recuperação prolongada
- Alterações ventilatórias
Seria interessante compartilharmos estratégias anestésicas que têm funcionado bem nesses pacientes!
Referências
Brodbelt D. et al. (2008). The risk of death: the confidential enquiry into perioperative small animal fatalities. Vet Anaesth Analg.
Grubb T. et al. (2020). AAHA Anesthesia and Monitoring Guidelines for Dogs and Cats. JAAHA.
Hughes JML. (2017). Anaesthesia for the geriatric dog and cat. Veterinary Anaesthesia and Analgesia.