Com o aumento da expectativa de vida dos animais de companhia, é cada vez mais comum anestesiarmos pacientes geriátricos para procedimentos diagnósticos e cirúrgicos.

Um ponto importante: idade isoladamente não é contraindicação anestésica.

O verdadeiro desafio está nas alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento, que reduzem a reserva funcional dos órgãos e tornam o paciente menos capaz de compensar instabilidades intraoperatórias.


Principais alterações fisiológicas no paciente idoso:


Cardiovascular

  1. Redução da complacência miocárdica
  2. Diminuição da resposta β-adrenérgica
  3. Menor capacidade de compensação frente à hipotensão


Respiratórias

  1. Redução da complacência pulmonar
  2. Diminuição da capacidade de difusão gasosa
  3. Maior tendência à hipoxemia sob anestesia


Renal

  1. Redução do fluxo sanguíneo renal e do GFR
  2. Maior susceptibilidade à injúria renal perioperatória


Hepático

  1. Diminuição do metabolismo de fármacos em alguns pacientes
  2. Alteração da farmacocinética de anestésicos


Sistema nervoso

  1. Maior sensibilidade a agentes sedativos e anestésicos


Implicações anestésicas práticas:

Avaliação pré-anestésica detalhada

Identificação de comorbidades (cardíacas, renais, endócrinas).

Premedicação mais conservadora

Doses reduzidas e titulação cuidadosa.

Indução lenta e titulada

Pacientes geriátricos frequentemente necessitam menores doses de agentes indutores.

Monitorização rigorosa

Pressão arterial invasiva ou não invasiva, capnografia, oximetria e temperatura são fundamentais.

Evitar hipotensão prolongada

Perfusão inadequada é um dos principais fatores associados a complicações perioperatórias.

Recuperação mais lenta

Deve ser cuidadosamente monitorada, especialmente em pacientes com doença sistêmica.


Um ponto importante na prática:

Frequentemente, o maior risco anestésico nesses pacientes não é o protocolo anestésico em si, mas a presença de doença sistêmica não diagnosticada.

Por isso, exames complementares e uma boa estratificação de risco (ASA) continuam sendo ferramentas fundamentais.


Na prática clínica de vocês, qual alteração perioperatória é mais comum em pacientes geriátricos?

  1. Hipotensão
  2. Hipotermia
  3. Recuperação prolongada
  4. Alterações ventilatórias


Seria interessante compartilharmos estratégias anestésicas que têm funcionado bem nesses pacientes!


Referências

Brodbelt D. et al. (2008). The risk of death: the confidential enquiry into perioperative small animal fatalities. Vet Anaesth Analg.

Grubb T. et al. (2020). AAHA Anesthesia and Monitoring Guidelines for Dogs and Cats. JAAHA.

Hughes JML. (2017). Anaesthesia for the geriatric dog and cat. Veterinary Anaesthesia and Analgesia.