A obesidade é uma das comorbidades mais frequentes na rotina de pequenos animais, e uma das mais subestimadas na anestesiologia (!!!)


O paciente obeso não é apenas “mais pesado”. Ele apresenta alterações fisiológicas que impactam diretamente o planejamento anestésico:


🔬 Alterações respiratórias

  1. ↓ Capacidade residual funcional (CRF)
  2. ↓ Complacência pulmonar
  3. Atelectasia mais precoce
  4. Dessaturação mais rápida, especialmente em decúbito dorsal

A pré-oxigenação e a consideração precoce de ventilação controlada deixam de ser opcionais.


❤️ Alterações cardiovasculares

  1. ↑ Débito cardíaco basal
  2. ↑ Demanda metabólica
  3. Maior risco de instabilidade hemodinâmica


💉 Alterações farmacocinéticas

  1. Aumento do volume de distribuição para fármacos lipofílicos
  2. Risco de superdosagem quando se utiliza peso total para cálculo de indutores

Indutores IV, como propofol ou alfaxalona, devem preferencialmente ser calculados com base em peso ideal ou peso magro.


Pontos práticos para incorporar na rotina:

✔️ Cálculo de dose baseado em peso ideal

✔️ Pré-oxigenação obrigatória (3–5 min)

✔️ Estratégia ventilatória planejada

✔️ PEEP individualizada quando indicada

✔️ Recuperação com oxigênio suplementar


Anestesia em paciente obeso exige raciocínio fisiológico, não protocolo automático.


Gostaria de ouvir dos colegas: vocês modificam sua estratégia ventilatória nesses pacientes? Utilizam peso ideal rotineiramente para indução?