Gostaria de compartilhar uma experiência inicial e levantar discussão sobre o uso de dispositivos de via aérea produzidos por impressão 3D na prática anestésica veterinária...
Foi utilizado um laringoscópio obtido a partir de modelo aberto, impresso em PLA, com custo inferior a R$10 e peso aproximado de 20 g.
Contexto clínico:
- paciente: felina, hígida
- via aérea: considerada de baixa complexidade
- histórico: sem intercorrências prévias de intubação
- condição de uso: ambiente controlado
- segurança: laringoscópio convencional disponível para uso imediato
Características do dispositivo:
- lâmina fixa (não intercambiável)
- ausência de sistema de iluminação
- construção em material não autoclavável
- superfície com irregularidades decorrentes do processo de impressão (FDM)
Achados iniciais:
O dispositivo apresentou viabilidade funcional em cenário de via aérea fácil, permitindo adequada visualização para intubação.
Aspectos positivos incluem:
- baixo custo e acessibilidade
- leveza
- potencial uso em ambientes com restrição a metais (ressonância magnética)
- possibilidade de rápida reprodução e modificação do design
❗ Limitações críticas
Do ponto de vista clínico e científico, destacam-se:
1. Resistência mecânica
- PLA apresenta limitações estruturais sob estresse
2. Iluminação
- ausência compromete aplicabilidade em cenários reais
3. Modularidade
- ausência de lâminas intercambiáveis limita adaptação
4. Biossegurança (principal limitação)
- material não autoclavável
- presença de microirregularidades superficiais (hachuras)
- potencial retenção de matéria orgânica
- dificuldade de padronização de desinfecção
Interpretação
Embora funcional em cenário controlado, o dispositivo apresenta limitações relevantes que restringem seu uso clínico.
Os principais desafios para evolução incluem:
- seleção de materiais mais adequados (ex.: PETG, nylon, polímeros autoclaváveis)
- otimização da superfície (redução de rugosidade)
- desenvolvimento de sistemas modulares
- incorporação de iluminação
- validação microbiológica
Perspectivas: A literatura recente já descreve o uso de dispositivos de via aérea impressos em 3D (principalmente videolaringoscópios), porém ainda há escassez de dados na medicina veterinária.
Esse cenário sugere uma oportunidade para investigação mais estruturada, incluindo:
- testes mecânicos padronizados
- análise microbiológica
- avaliação clínica progressiva
Quais materiais vocês considerariam mais promissores para esse tipo de aplicação? Como enxergam a viabilidade de modelos híbridos (descartável + reutilizável)?
Estou estruturando essa linha como projeto de pesquisa e gostaria muito de ouvir experiências e opiniões da comunidade!!