Gostaria de compartilhar uma experiência inicial e levantar discussão sobre o uso de dispositivos de via aérea produzidos por impressão 3D na prática anestésica veterinária...


Foi utilizado um laringoscópio obtido a partir de modelo aberto, impresso em PLA, com custo inferior a R$10 e peso aproximado de 20 g.


Contexto clínico:

  1. paciente: felina, hígida
  2. via aérea: considerada de baixa complexidade
  3. histórico: sem intercorrências prévias de intubação
  4. condição de uso: ambiente controlado
  5. segurança: laringoscópio convencional disponível para uso imediato


Características do dispositivo:

  1. lâmina fixa (não intercambiável)
  2. ausência de sistema de iluminação
  3. construção em material não autoclavável
  4. superfície com irregularidades decorrentes do processo de impressão (FDM)


Achados iniciais:

O dispositivo apresentou viabilidade funcional em cenário de via aérea fácil, permitindo adequada visualização para intubação.

Aspectos positivos incluem:

  1. baixo custo e acessibilidade
  2. leveza
  3. potencial uso em ambientes com restrição a metais (ressonância magnética)
  4. possibilidade de rápida reprodução e modificação do design


❗ Limitações críticas

Do ponto de vista clínico e científico, destacam-se:

1. Resistência mecânica

  1. PLA apresenta limitações estruturais sob estresse

2. Iluminação

  1. ausência compromete aplicabilidade em cenários reais

3. Modularidade

  1. ausência de lâminas intercambiáveis limita adaptação

4. Biossegurança (principal limitação)

  1. material não autoclavável
  2. presença de microirregularidades superficiais (hachuras)
  3. potencial retenção de matéria orgânica
  4. dificuldade de padronização de desinfecção


Interpretação

Embora funcional em cenário controlado, o dispositivo apresenta limitações relevantes que restringem seu uso clínico.

Os principais desafios para evolução incluem:

  1. seleção de materiais mais adequados (ex.: PETG, nylon, polímeros autoclaváveis)
  2. otimização da superfície (redução de rugosidade)
  3. desenvolvimento de sistemas modulares
  4. incorporação de iluminação
  5. validação microbiológica


Perspectivas: A literatura recente já descreve o uso de dispositivos de via aérea impressos em 3D (principalmente videolaringoscópios), porém ainda há escassez de dados na medicina veterinária.


Esse cenário sugere uma oportunidade para investigação mais estruturada, incluindo:

  1. testes mecânicos padronizados
  2. análise microbiológica
  3. avaliação clínica progressiva



Quais materiais vocês considerariam mais promissores para esse tipo de aplicação? Como enxergam a viabilidade de modelos híbridos (descartável + reutilizável)?


Estou estruturando essa linha como projeto de pesquisa e gostaria muito de ouvir experiências e opiniões da comunidade!!