Durante a anestesia, a prevenção da hipotermia é parte fundamental do manejo perioperatório. No entanto, existe um paradoxo importante:

👉 as mesmas estratégias utilizadas para proteger o paciente podem, quando mal aplicadas, causar lesões


Queimaduras térmicas iatrogênicas ainda são relatadas na prática veterinária, principalmente associadas a:

  1. dispositivos de aquecimento sem controle adequado
  2. contato direto com fontes de calor
  3. ausência de monitorização contínua de temperatura do dispositivo de aquecimento


O ponto crítico é que, sob anestesia:

  1. o paciente não consegue reagir ao estímulo térmico
  2. a perfusão pode estar comprometida
  3. o risco de lesão tecidual aumenta significativamente


Além disso, essas lesões frequentemente não são identificadas no intraoperatório, sendo diagnosticadas apenas no pós-operatório


Isso nos mostra que a segurança anestésica não é apenas sobre manter parâmetros, é sobre entender como as intervenções impactam o tecido em nível fisiológico.


✅ Boas práticas essenciais:

  1. Utilizar sistemas de aquecimento com controle ativo
  2. Evitar qualquer fonte de calor direto
  3. Monitorar temperatura continuamente
  4. Reavaliar posicionamento e contato com superfícies
  5. Considerar perfusão como parte da segurança térmica


A evolução da anestesiologia (inclusive com apoio de tecnologia e IA) passa por reduzir variabilidade e evitar eventos adversos previsíveis.

E esse é um deles.


Segurança térmica também é um indicador de maturidade anestésica


Referências científicas para leitura complementar:::

  1. Veterinary Anaesthesia and Analgesia. Grimm KA, Lamont LA, Tranquilli WJ, Greene SA, Robertson SA. 2015. Aborda hipotermia, métodos de aquecimento e riscos de lesões térmicas.
  2. Veterinary Anaesthesia and Analgesia. Sessler DI (adaptado para prática vet). Termorregulação sob anestesia e complicações do aquecimento inadequado.