Durante a anestesia, a prevenção da hipotermia é parte fundamental do manejo perioperatório. No entanto, existe um paradoxo importante:
👉 as mesmas estratégias utilizadas para proteger o paciente podem, quando mal aplicadas, causar lesões
Queimaduras térmicas iatrogênicas ainda são relatadas na prática veterinária, principalmente associadas a:
- dispositivos de aquecimento sem controle adequado
- contato direto com fontes de calor
- ausência de monitorização contínua de temperatura do dispositivo de aquecimento
O ponto crítico é que, sob anestesia:
- o paciente não consegue reagir ao estímulo térmico
- a perfusão pode estar comprometida
- o risco de lesão tecidual aumenta significativamente
Além disso, essas lesões frequentemente não são identificadas no intraoperatório, sendo diagnosticadas apenas no pós-operatório
Isso nos mostra que a segurança anestésica não é apenas sobre manter parâmetros, é sobre entender como as intervenções impactam o tecido em nível fisiológico.
✅ Boas práticas essenciais:
- Utilizar sistemas de aquecimento com controle ativo
- Evitar qualquer fonte de calor direto
- Monitorar temperatura continuamente
- Reavaliar posicionamento e contato com superfícies
- Considerar perfusão como parte da segurança térmica
A evolução da anestesiologia (inclusive com apoio de tecnologia e IA) passa por reduzir variabilidade e evitar eventos adversos previsíveis.
E esse é um deles.
Segurança térmica também é um indicador de maturidade anestésica
Referências científicas para leitura complementar:::
- Veterinary Anaesthesia and Analgesia. Grimm KA, Lamont LA, Tranquilli WJ, Greene SA, Robertson SA. 2015. Aborda hipotermia, métodos de aquecimento e riscos de lesões térmicas.
- Veterinary Anaesthesia and Analgesia. Sessler DI (adaptado para prática vet). Termorregulação sob anestesia e complicações do aquecimento inadequado.