Gostaria de compartilhar um artigo recente publicado na Veterinary Anaesthesia and Analgesia (2025) que considero particularmente relevante para nossa prática clínica!!


📄 Data-driven safety limits for assessing perianesthetic mortality risk in dogs and cats undergoing elective procedures.


Os autores utilizaram um grande banco de dados multicêntrico (2019–2023) de cães e gatos submetidos a procedimentos eletivos e aplicaram:

  1. Modelos aditivos generalizados (GAM)
  2. Simulações de múltiplos pontos de corte laboratoriais (~400 thresholds)
  3. Estratégias para balancear sensibilidade e taxa de falsos positivos


O objetivo foi criar limiares laboratoriais práticos (“stop” e “critical stop”) associados ao aumento de risco de mortalidade perianestésica.


📈 Principais variáveis associadas ao risco:

  1. Albumina
  2. Hematócrito
  3. Neutrófilos
  4. Leucócitos totais


Em cães, albumina e hematócrito tiveram forte associação. Em gatos, neutrófilos também mostraram relevância importante.


O ponto interessante:

O estudo não se baseia apenas em “valor fora do intervalo de referência”, mas em:

➡ Quanto aquele valor modifica o risco real de mortalidade perioperatória

➡ Como podemos transformar dados populacionais em ferramentas práticas de decisão clínica


Reflexões relevantes para nossa prática diária:

  1. Devemos começar a pensar em limites laboratoriais baseados em risco, e não apenas em intervalos tradicionais?
  2. Vocês já modificam plano anestésico com base em hipoalbuminemia leve/moderada em procedimentos eletivos?
  3. Como integrar esse tipo de abordagem à rotina sem aumentar excesso de cancelamentos desnecessários?


Eu vejo esse tipo de estudo como um passo importante rumo à estratificação objetiva de risco na anestesia veterinária, e potencial base futura para ferramentas digitais de apoio à decisão clínica.


Gostaria muito de ouvir como vocês têm abordado risco laboratorial pré-anestésico na prática diária!